Linfoma não Hodgkin em cavidade oral associado ao HIV com complicação por superinfecção por germe multirresistente: relato de caso clínico com desfecho fatal
DOI:
https://doi.org/10.20453/reh.v36i2.6462Palavras-chave:
linfoma não Hodgkin, síndrome da imunodeficiência adquirida, infecções odontogênicas, cavidade oral, relato de casoResumo
O linfoma não Hodgkin em cavidade oral é incomum e pode simular infecções odontogênicas, retardando o diagnóstico precoce, particularmente em pacientes imunocomprometidos, como os portadores de infecção pelo HIV. Um paciente do sexo masculino, de 25 anos, com histórico de infecção pelo HIV sem terapia antirretroviral, apresentou dor intensa no hemiface direita, trismo e edema facial. Relatou extração recente do segundo molar inferior direito (dente 47), após a qual apresentou evolução tórpida com edema progressivo e limitação funcional. O exame clínico revelou celulite facial e lesões periodontais ativas. Foram realizados exames de imagem, culturas e biópsia incisional de tecido alveolar e ósseo. A análise histopatológica e imuno-histoquímica confirmou linfoma não Hodgkin de células B. O estadiamento foi complementado com colonoscopia, que identificou massa abdominal com envolvimento sistêmico. O paciente foi hospitalizado e evoluiu com uma infecção por germe multirresistente, para a qual se iniciou tratamento antimicrobiano enquanto se coordenava o manejo oncológico especializado; entretanto, apresentou desfecho fatal durante sua internação. Este caso destaca a importância do papel do cirurgião-dentista na detecção precoce de lesões orais atípicas que podem inicialmente simular processos odontogênicos comuns. A avaliação clínica e a decisão de realizar exames complementares, como a biópsia, foram determinantes para o diagnóstico de linfoma não Hodgkin. Em pacientes com HIV não tratados, o atendimento odontológico oportuno é fundamental para orientar o diagnóstico diferencial e melhorar o prognóstico.
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